quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Agora, sim: DESCOMPROMISSO
Eu queria ter uma maquininha destas de anúncio, para poder escrever e viajar. Ok, tenho a maquininha, mas o preço foi alto, e consumiu o que seria investido em muitas viagens. Não estou falando de dinheiro. Estou falando da porra do computador velho, que quebrou e deu muita dor de cabeça. Precisava o computador antigo quebrar para eu ter que comprar outro? Eu deveria estar orgulhoso do meu posicionamento “consumidor consciente de computadores, não consumista”. Mas não é bem assim. Tive dores de cabeça do tipo que a gente sente quando tem que pegar um táxi até o outro lado da cidade, com a máquina embaixo do braço, pra ver se o antigo namorado da prima salva o que tem lá dentro. Textos. 23, para ser mais exato, e precisavam ser entregues no dia seguinte. Por que estou lembrando disso agora? Será que é só para não me sentir culpado por ter um computador novo num país de miseráveis? Ah, ninguém agüenta mais conversinha sobre culpa. Nem em blog.Vamos voltar à dor de cabeça. Há uma série delas surgindo. Hoje, tinha uma me espreitando logo que saí da cama. Será que foi porque fumei quatro cigarros de menta, ontem? Porra, cigarro de menta. Eu devo estar com merda na cabeça ou então o estresse de que todo mundo fala é verdade. Deve ser isso. Ainda bem que para se estressar a gente não precisa de culpa. Estresse vem e pronto.A viagem de táxi até o outro lado da cidade, por falar em estresse, foi recheada por “avisos” e “ameaças”. É que eu estava levando até o mané o computador da minha namorada. Que eu tive que usar, porque o meu tinha dado pau. Aí, deu pau no dela também. E o que é pior: com 23 textos meus lá dentro. No caminho, meu celular vibra. Não é de alegria. É uma chamada, a terceira que preciso atender no caminho. Ela diz para eu tomar cuidado com a máquina, porque há coisas muito pessoais lá dentro. Diz que se algum comboio de marginais parar o táxi, eu devo quebrar a máquina antes de entregá-la. A máquina é o computador, aquele trambolho. Como eu vou fazer para destruir aquilo – a ponto de os marginais não verem as fotos de gente pelada que estão lá dentro – é que eu não sei. Sei é que levo a sério aquela determinação. Que saco.As viagens de táxi costumavam ser mais prazerosas. Devem continuar sendo, quando não há em jogo uma relação, 23 textos e mil e quinhentas pratas. As viagens de táxi eram prazerosas no Aterro ou na Praia do Flamengo, voltando para a minha casa, de madrugada, depois de algum show. É a hora em que a gente pode se sentir um "mafioso". Coloquei entre aspas porque é "mafioso no bom sentido". Que bom sentido? Ah, vai estressar outro.
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